Família


Correria, presentes, transito, lojas cheias….!

Entra ano, sai ano, e é sempre a mesma coisa!

A correria de última hora para comprar um presente para a mãe. E os outros dias do ano? Será que nos lembramos dela com o mesmo carinho? Ou somente vamos na onda geral e “cuidamos” do relacionamento com ela somente nesse dia?

LEMBREMO-NOS: o dia das mãe é todo dia!!!

FELIZ DIA DAS MÃES a todas as mamães!

35 anos: muito ou pouco?

Alguns números – de 14/09/1974 à 14/09/2009):

  • 35% de um século;
  • 3,5 décadas;
  • 420 meses;
  • 1.820 semanas;
  • 12.784 dias;
  • 306.810 horas;
  • 18.408.600 minutos;
  • 1.104.516.000 segundos.

Tempo é relativo! já dizia Einstein.

O Metro de São Paulo, linha Norte (Santana) – Sul (Jabaquara), atual linha Azul, foi inaugurado em 14 de setembro de 1974.

O Presidente do Brasil era Ernesto Geisel (penúltimo predidente do Regime Militar de 1964). O Governador de São Paulo era Laudo Natel, eleito indiretamente pela Assembléia Ligislativa e o Prefeito de São Paulo era Miguel Colassuonno, indicado pelo Governador.

O Prefeito de Sorocaba era Armando Panunzio.

Nessa data surgiu o Karate Full-contact, uma forma híbrida de luta que combina estilos de artes marciais com o boxe.

A cidade de Sinop, no Mato Grosso foi fundada a 14 de Setembro de 1974. Sinop vem do acrônimo de Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná.

O Papa era Paulo VI, o italiano Giovanni Battista Montini.

Em Sorocaba acontecia a primeira Revoada Vicentina:


Emerson Fittipaldi, correndo pela McLaren, tornou-se bicampeão mundial em 1974. A Alemanha tornou-se bicampeã Mundial de Futebol.

Em 1974 o grupo KISS, uma banda de hard rock dos Estados Unidos, lança seu primeiro álbum, tornando a banda conhecida e seus integrantes milionários. Foi um grupo que impactou culturalmente a década de 1970.

Filmes que fizeram sucesso em 1974:

  • Aeroporto 75 (Airport 1975, norte-americano);
  • Hobin Hood, o trapalhão da floresta (Renato Aragão e Dedé Santana);
  • Assassinato no Expresso do Oriente (policial britânico);
  • Chinatown (policial norte-americano);
  • Inferno na torre (The Towering Inferno – produção norte-americana, com um enredo catastrófico e elenco notável: Paul Newman, Steve McQueen, O.J. Simpson, Fred Astaire etc).

E claro, um acontecimento importante, o Casamento da Glauceli & Calixto.

Apologia: a.po.lo.gi.a

sf (gr apología) 1 Discurso ou escrito laudatório para justificar ou defender alguém ou alguma coisa. 2 Elogio, louvor, panegírico. Antôn (acepção 2): censura. (Michaelis, Melhoramentos, 2009)
Não sou dado a fazer apologias, prefiro o consenso e o discurso lógico.

Hoje, porém, irei fazer apologia sim, sobre o casamento.

Vivemos atualmente em uma sociedade volátil, efêmera,  imediatista, consumista, e muitas vezes egocentrica, onde a busca pelo prazer próprio, na grande maioria das vezes, não contempla o próximo (em uma liguagem administrativa: os stakeholders). Tavez contribua para isso, a enorme quantidade de informações com a qual somos expostos (mais do que conseguimos digerir), a diversidade delas e a banalidade com que alguns  assuntos são contemplados, em função da quantidade, quando não  deveriam sê-lo. Por exemplo, a quantidade de mortes e crimes que são anunciados é tal que, já não nos comove como no início do século passado.

Contribui também para o imediatismo e efemeridade a pressão mercadológica, onde o ciclo de vida dos produtos diminui cada vez mais, as inovações acontecem constantemente e os processos de comunicação (mídias em geral) gerando um consumismo exacerbado. Isto faz com que um celular, de apenas 3 meses, seja obsoleto.

Até ai não vejo muito problema, além de causar insatisfação naqueles que não conseguem acompanhar o desenfreado consumismo, ou até mesmo gerar problemas financeiros por não saberem controlar seu caixa. Existem pessoas que até necessitam de tratamento psicológico.

O problema que vejo vai além dos objetos de desejo, que normalmente são tangíveis , mas sim a transferência dessa efemeridade para os relacionamentos humanos.

A Internet, que tem apenas 15 aninhos (jovem se comparada ao telégrafo ou rádio) encurtou distâncias e tempo. Hoje nos comunicamos com o mundo em apenas alguns segundos. Muitos relacionamentos, seja de amizade, de negócios, de parcerias ou amorosos acontecem através de e-mails, MSN, Orkut ou qualquer dessas ferramentas, como também acontecem os fins desses relacionamentos pelas mesmas ferramentas. O contato face-a-face para muitos é difícil, então, essas ferrramentas ajudam os inibidos.Veja o caso de Mark Zuckerberg, criador do Facebook, umas das maiores redes sociais do mundo, que afirma ter criado a rede para “azarar” as garotas. Leia na IstoÉDinheiro de agosto/2009, que o retrata como tímido. O início ou ou fim de um relacionamento, pelo mundo virtual, é menos estressante que pelo mundo real (face-a-face).

A liberdade de expressão, política, costumes indo até à liberdade sexual, contribuiu, e muito, para o desenvolvimento da sociedade, consequentemente do ser humano, isto tudo aliado às ferramentas virtuais disponíveis, mas essas mesmas liberdades, e ferramentas, também contribuiram para a superficialidade dos relacionamentos humanos.

Outro dia ouvi de um padre que casamentos com 10 anos devem ser comemorados, pois estão cada vez mais difíceis de acontecer.

As pessoas casam-se (juntam-se) para serem felizes e esquecem que a união estável tem por objetivo fazer o outro feliz.

Porque escrevo tudo isso hoje?

Hoje comemoramos, a Glauceli e eu, 35 anos de casados, com a expectativa de comemorarmos aniversários de união pelos próximo 35 anos ou mais.

Tem fórmula? macete? mágica?

Não sei como se chama, mas tentarei, resumidamente, passar nossa experiência de 35 anos de casados e felizes.

  1. Altruísmo: como fazer o outro feliz, se preocupar com a felicidade do outro antes da tua.
  2. Cumplicidade: parceria, colaboração.
  3. Paciência: homens e mulheres são diferentes (ainda bem) fisicamente, emocionalmente e psicologicamente.
  4. Respeito: se somos diferentes, devemos respeitar as diferenças e procurar entendê-las.
  5. Parceria: nem sempre um gosta do que o outro gosta. Algumas coisas fazemos juntos por respeito ao outro, algumas coisas fazemos separados, por respeito ao outro.
  6. Confiança: ciumes em demasia destrói qualquer relacionamento e tanto a literatura como os jornais trazem inúmeros casos.
  7. Expressão: dialogar, conversar com respeito, consenso. Ouvir mais do que falar.
  8. Amor: não banalize o “Eu te amo” mas repita pelo menos três vezes por dia para teu conjuge.
  9. Amizade: teu conjuge deve ser teu melhor amigo, então, trate-o como seu melhor amigo
  10. Conquista: conquiste diariamente teu conjuge. Para eles: “conquistar uma mulher por dia é fácil, o difícil e conquistar a mesma mulher todos os dias”. Para elas: “conquistar um homem por dia é fácil, o difícil e conquistar o mesmo homem todos os dias”.
  11. Sexo: trate seu conjuge como amante e nunca necessitará de ter um. Dê-lhe presentes, flores, bombons, mimos, cartões…..!

Muitos escritores escrevem livos com títulos numéricos: “As 10 maneiras de ser feliz”, “As 5 regras de vendas”. “Os quatro pilares da estratégia”, e por ai vai.

Não foi minha intenção listar as 11 coisas para ser feliz no casamento, alias, se fosse escrever tudo necessitaria de uns 30 dias e talvez alguns milhares de itens, mas como professor acabei deixando meu lado professoral emanar e acabei fazendo uma listinha, porém, casamento não é listinha e sim vivência dia-a-dia de cumplices que se amam.

Ao grande amor de minha vida, Glauceli, obrigado por esses 35 anos de plena felicidades, cumplicidade e paciência.

TE AMO GLAUCELI!

TE AMO GLAUCELI!

TE AMO GLAUCELI!

Com carinho, Calixto

“Lencinho Vermelho de Bolinhas Brancas” ou “Uma grande História de amor”


Em 1942, a jovem Lina (mamãe) então com 15 anos, conheceu o jovem Antonio (papai), com 17 anos.
Namoraram um mês e meio, namorico de crianças, não deu certo. Minha avó era dura e disse que eles brigavam muito por isso, estavam proibidos de namorar.

Eles moravam próximos, como diz a minha mãe, na mesma mansão. Era um cortiço, ou seja, um grande quintal com vários cômodos, um banheiro nos fundos ao lado de dois ou três tanques de lavar roupa.
Alguns tinham dois cômodos, então, um era quarto e outro cozinha. Outros tinham apenas um cômodo, que servia de tudo.
Interessante que apenas um banheiro e não existiam tantas doenças DST como atualmente. Acredito que deveriam existir outras.

Como moravam próximos, continuaram se vendo constantemente, como amigos.

Em 1943, papai encontrou a mamãe, como normalmente acontecia e, durante a conversa ela deixou cair um lencinho vermelho com bolinhas brancas. Papai rapidamente o pegou e disse que não o devolveria : “- Roubei!”

Minha mãe usava o lenço para limpar o baton, uma vez que meu avô não a deixava usar, então, antes de entrar em casa ela tinha que tirá-lo, e para isso ela usava o lencinho.

Mamãe diz que não ligou e ainda debochou dele: “- pode ficar, é um simples lencinho”.

Entre encontros e desencontros, nunca mais se falou no lencinho.

Em 1948 encontraram-se novamente, e desta vez começaram a namorar de para valer.

Casaram-se em 1950, no dia 20 de maio, aniversário da mamãe.

Logo que se casaram, papai mostrou o lencinho e disse que o havia guardado, e que agora ele gostaria que ela o guardasse e, se ele morresse primeiro que ela, era para colocar o lencinho na urna funerária.

Em setembro de 2005, papai apresentou câncer de rim. Na primeira semana de janeiro de 2006 retirou o rim direito, o ureter e um pedaço da bexiga.

Logo após, iniciou um tratamento de quimioterapia, que provocou uma trombose.

Ainda em março de 2006, quando completou 82 anos, conseguia dirigir até a feira e ao supermercado.

Seu estado foi piorando. Em julho já tinha dificuldade em andar. Em setembro necessitava da bengala e do andador. Em outubro necessitou da cadeira de rodas.

Entre idas e vindas ao hospital, passamos (eu e minha esposa Glauceli) a dormir com eles.
Cada vez que eu ia dar banho nele, via seu corpo esvaiando e a barriga inchando cada vez mais. A metástase se espalhou pelos gânglios e pulmões.
A partir no início de novembro ele já tinha dificuldades em falar (articular as palavras). Acredito que ele achava que estava falando corretamente, mas já tínhamos dificuldades em entendê-lo.

Lembro do homem altivo, forte, decidido, trabalhador que agora, resignado, se colocava nas minhas mãos. Chorei muito.

No dia 10 de novembro tivemos que interná-lo novamente. Mamãe ficava durante o dia todo com ele. Eu ficava à noite. A Glauceli ia e voltava várias vezes.

No dia 12 de novembro cortava nossos corações ver seu sofrimento.
Conversei com os médicos que disseram não ter mais nada a fazer. Perguntei se levá-lo à UTI poderia resolver o problema. Responderam que somente aumentaríamos seu sofrimento e no máximo ganharíamos algumas horas. Pedi então, para sedá-lo.
Por volta das 23h30m falei para minha mãe ir para casa descansar. Mamãe, muito firme e com os olhos cheios de lágrimas disse-me:
“- Vou preparar sua roupa de viagem, quero que ele vista o casaquinho marrom que ele tanto gostava”
A Glauceli levou mamãe. Fiquei ao lado de meu pai.

As 2h40m, madrugada do dia 13, uma segunda-feira. Papai parou de respirar.

Ao chegar em casa para falar com mamãe e pegar os documentos para preparar o velório, mamãe me disse:
“- Leve o lencinho que eu quero que ele vá no caixão do papai”

Falei que era melhor nós o colocarmos, pois poderia se perder.

Mamãe guardou o lencinho por 56 anos, 5 meses e 22 dias, em um saquinho plástico. Olhou para mim e disse: “- você tem razão” e enfiou o lencinho no bolso.

Após todos os preparos, fomos ao velório. Levantei o véu que cobria papai, peguei o lencinho com muito cuidado, pois estava muito frágil, quase apodrecido, e o encaixei entre seus dedos.

Mamãe olhou, chorou e disse : “- esse é um símbolo do nosso amor”

Não me contive e chorei novamente.

Durante o velório, contei para todos que tive oportunidade, sobre o “Lencinho Vermelho de Bolinhas Brancas”, guardado por mais de 64 anos.

Amor! amizade! carinho!

Saudades paizão!!! Um beijão onde quer que esteja!!!